A tecnologia digital alterou a criação publicitária
definitivamente. Não há campanha possível de existir sem alguma solução
digital. Não é apenas o universo das grandes marcas e dos produtos que vive
esta realidade. Qualquer tipo de ação publicitária pede um ponto de contato
digital.
Sendo assim, o consumidor também já se acostumou a dialogar
com a extensão da campanha na internet. Sabe que encontrará detalhes e até
alguma experiência como os games ou as promoções interativas do Twitter e do
Facebook. Grande parte dos anunciantes busca o relacionamento com o seu público
e a comunicação digital é uma forma de estabelecer os rumos e a intensidade
desta relação.
O mercado publicitário já entendeu isso, mas ainda reluta
com suas antigas formas de trabalho. Ainda não sabe como será remunerado por
ideias fora do ambiente midiático tradicional, tenta abraçar todas as
ferramentas de comunicação abrindo novas frentes de atuação nas agências e
percebe no jovem a grande oportunidade de migrar para este novo universo.
Infelizmente, o mercado publicitário em geral não se
relaciona com a universidade para fortalecer as novas possibilidades de
negócios para a atividade. Percebe a academia como uma escola provedora de
estagiários, a mão de obra barata que o ajudará a enxergar o seu futuro. Não
faz da pesquisa acadêmica uma fonte de informação e de perspectivas novas para
esta reformulação tão aguda que está vivendo.
Por sua vez, a maioria das universidades não busca o mercado
como um parceiro, mantêm-se distante de seus problemas e não oferece
resistência a seus abusos. A publicidade não tem o seu destino traçado nas
carteiras das universidades, nem como um exercício.
A distância entre o mercado e a universidade está criando um
abismo conceitual sobre o que é a profissão. Para preencher este buraco, novos
cursos baseados em “ferramentas da comunicação” são lançados, uma maneira de
tornar mais contemporâneo o processo de
escolha da profissão. Um jovem pode estudar publicidade, design gráfico,
design digital, comunicação promocional, entre tantas outras possibilidades,
porém trabalhará no mesmo mercado publicitário que está tentando absorver todas
as possibilidades de comunicar.
A digitalização da comunicação não é a hiper especialização
do conhecimento e dos fazeres. “A digitalização do processo criativo vai além
da execução e da produção. Passou a ser parte integrante da concepção
diferenciada das big ideas.” (Revista Meio Digital, outubro de 2008)
Sendo assim, voltamos para o desafio inicial: como
incentivar e ampliar os processos criativos da publicidade, repensando a
formação do profissional nos tempos atuais?
