A Louis Vuitton, marca de sucesso internacional, foi criada quando o liberalismo econômico e a consolidação do capitalismo industrial proporcionavam a produção de massa. No início de seu desenvolvimento e ao nascer a diferenciação dos produtos, inicia-se uma febre, uma busca sem limites por novidades. Um passeio pelo final do século XIX aponta um mundo voltado para as aparências, que tinha como alicerce uma vontade de produzir mais e mais bens, um universo que propiciou à moda se estabelecer enquanto receita econômica, transformando a cidade de Paris no berço e grande centro da criação de vestuários e acessórios da sociedade industrial.
A marca Louis Vuitton nasceu neste universo, onde se apostava na diferenciação pessoal através do produto que fornecesse a aparência correspondente à imagem idealizada, à posição social que mascarava a sociedade da época.
Seu fundador, Louis Vuitton, ainda muito jovem, aproximadamente próximos dos quinzes anos, sai das montanhas do sul da França e parte para Paris a pé. Após dois anos, finalmente chegou ao destino e, no ano de 1837, começa a trabalhar como aprendiz embalando pacotes. Ainda não havia completado cem anos da grande revolução, a Revolução Francesa, e à burguesia cabia o comércio e a indústria, ou seja, o dinheiro que alimentava as novas modas.
Sem dúvida, aquela foi uma das épocas mais ricas da história, a que deu início à Era Moderna. Foram momentos de grandes revoluções e descobertas, guerras e alterações político-econômicas. Havia um quadro inconstante e violento, cujas idéias deram sustentação a um pensamento, o Iluminismo, que buscava a razão, a natureza e a moralidade, alterando a arte e a ciência moderna, tornando-as universais. É o momento da primeira viagem de navio a vapor na travessia do Atlântico e da construção da primeira ferrovia, que alteram os princípios tecnológicos, possibilitando ao empacotador Louis Vuitton abrir sua empresa, especializada em fabricar baús de viagem.
O ano era 1854, momento de exagerada extravagância em Paris. Sua clientela era formada basicamente por mulheres da sociedade, que seguiam a moda de sua época à risca e procuravam a nova loja pelo talento de Vuitton em embalar roupas e acessórios nos baús feitos sob encomenda. Os parisienses viviam a Belle Époque, momento próspero da cidade, “a capital do século XIX”, segundo Walter Benjamin. Ali, a Art-Nouveau e o Impressionismo floresciam em novos boulevards, entre carruagens, senhoras, cavalheiros e cabarés. Toulouse Lautrec com seus cartazes publicitários, era a maior referência da arte impregnada de publicidade, ou vice-versa, da publicidade impregnada de arte.
