sexta-feira, 13 de abril de 2012

Matisse e o processo criativo


Os bastidores de qualquer obra criativa desperta curiosidade, especulações, mas, também, abre possibilidades para investigar os caminhos que a criação percorre antes de se apresentar em sua aparente forma final. Essa possibilidade de seguir a trilha do artista é empolgante e revela seus percursos, dúvidas no traço, até mesmo no tema da obra. 
O que será que pensou Matisse ao pintar Alegria de Viver? Suas idéias foram as iniciais? Percebe-se referências de outro artista ou de algum movimento artístico? Seus desenhos revelam outras obras por trás da obra pronta?  

Os esboços deixam para trás processos que nos permite estudar referências, suportes, rasuras e angústias pertencentes aquela criação, que reunidas podem se tornar também a biografia de um uma carreira, de um traço, de um artista.

Sinto por meio da cor; portanto, é sempre por meio dela que organizo a minha tela.
Convém que as sensações sejam condensadas e que os meios utilizados sejam levados à sua expressão máxima.
Na escola de Belas Artes aprende-se o que não se deve fazer. É o exemplo do que se deve evitar. Ninguém mais acredita nela.

Matisse, Escritos e Reflexões sobre Arte
A citação de Matisse mostra também uma questão fundamental: o questionamento da formação acadêmica. Se nos anos 50, Picasso e Matisse questionavam a função da escola de artes em seus encontros ocorridos em Paris, agora, na segunda década dos anos 2000, continuamos a questionar não mais a função apenas, mas a relevância da experiência universitária e a qualidade do repertório adquirido pelo jovem profissional em formação, que terá a criação como principal ofício.
O livro de Matisse, Escritos e Reflexões sobre Arte, que reúne textos, cartas e entrevistas ocorridas entre 1908 e 1953, registrou suas impressões sobre a história da arte pari passo com o seu desenvolvimento como artista, nos deixando um rico repertório de impressões e dúvidas. Este relato nos provoca a acompanhar sua perseguição pelo choque da cor, tema preferido do artista e também sua característica mais marcante.
Desta forma conseguimos entender os princípios e escolhas do artista e como nasce um traço marcante que será reconhecido para toda a eternidade. É a perspectiva da criação, ampliada alem da própria arte desenvolvida. É a compreensão de um pensamento oriundo de complexas conexões, que nos leva a rede de referências do artista, enxergando assim seus diálogos e articulações em todo processo criativo de sua obra.